[ESPECIAL] O que você aprendeu com essa experiência, delegado?

Por: Lais Cirilo

Nós, da Imprensa, na hora de entrevistar algum delegado, parlamentar, juiz, sempre temos entre nossas perguntas aquela famosa queridinha: o que o delegado aprendeu com essa experiência do Sigma Mundi? Pois bem. Fazemos a pergunta duas, três, seis vezes ao dia. Inúmeras. Mas, na realidade, é quase irônico que nunca tenhamos feito a pergunta para nós próprios. Afinal, senhores e senhoras jornalistas, o que nós aprendemos com essa experiência?

Posso falar por mim. Eu, que sou do novíssimo setor de crise, nunca soube para que elas serviam antes desse ano. Na pele de um delegado, achava que maquinavam para dificultar nossa vida. Mas, vivendo a crise, fazendo uma, atuando nela, descobre-se um outro lado: o lado criativo, de ajudar os delegados nas situações que tiram o melhor deles, nos piores momentos, em que se vê a formação de um juiz brilhante, um embaixador equilibrado, um parlamentar interessado pelo seu país. É quando se veem florescer em alunos, que passam o ano todo de uniforme, meninos e meninas vestidos como os adultos que serão um dia, refletindo o futuro que, logo mais, será sua responsabilidade.

Eu aprendi que “deadlines” e prazos te ensinam a lidar com seu tempo; que diretores que te cobram muito, querem tirar seu melhor e a sua melhor matéria; que o jornalismo nunca foi tão essencial em um mundo onde a informação, ao mesmo tempo que é nossa maior arma, pode ser nosso melhor escudo. Aprendi que trabalho em equipe não é coisa de escola, mas da vida, e que aprender a trabalhar com o outro te faz mais tolerante às diferenças. O privilégio de poder ouvir os delegados de camarote, de entender, ora sim, ora não, seus posicionamentos, de cruzar ideias tão distintas, de sempre buscar os dois lados da história: isso eu aprendi na imprensa. Por isso, cá entre nós, não trocaria essa experiência por nada nesse mundo.

Na imprensa e nesse Sigma Mundi, eu aprendi quem eu sou, e, talvez, algo melhor que isso: quem eu quero ser. Foi essa a minha experiência. Quem sabe como será a sua?

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